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quarta-feira, 15 de julho de 2015

EVOLUÇÃO CÓSMICA

 

Poderia parecer ridículo alguém comprometer-se a falar sobre a Evolução Cósmica, porque, naturalmente, este é um assunto que nem eu, nem qualquer mortal, conhece e, conseqüentemente, somos totalmente incapazes de nos expressarmos sobre ele. Todavia, existem certas deduções que podemos fazer sob a lei de analogia, que podem levar-nos a muitos interessantes domínios do pensamento.
 
 
Nas últimas semanas estivemos considerando a evolução do átomo de etapa em etapa até que incluímos todo o sistema solar sob o termo "átomo". Primeiro, estudamos o átomo da substância em linhas gerais, a seguir, estudamos o átomo humano e, mais tarde, aplicamos o que sabíamos a respeito de ambos à esfera ainda maior, ou átomo, um planeta ao qual chamamos de átomo planetário; a seguir, estendemos ainda mais a ideia ao átomo do sistema solar, considerando-o como possuidor de uma posição dentro de um todo ainda maior.
 
 
Estudamos três métodos de evolução, ou desenvolvimento, em relação a este assunto. Consideramos os aspectos que evoluíram por intermédio destes átomos, suas qualidades, ou natureza psíquica, e vimos como a única qualidade psíquica que se podia postular no átomo da substância era a qualidade de inteligência. A seguir, passamos às formas atómicas, formas sub-humanas, e vimos como as formas nos dois reinos da natureza, o vegetal e o animal, demonstravam outra qualidade da Divindade, a da sensação, do sentimento ou amor embrionário, e emoção; também descobrimos que no reino animal começou a se mostrar uma terceira qualidade, a da mente rudimentar, e que quando chegamos ao átomo humano tivemos três aspectos se evidenciando — inteligência, amor e uma vontade central. Estendemos este conceito ao planeta e ao sistema solar e descobrimos que, atuando através da forma do sistema solar tínhamos uma grande Inteligência, ou Mente; que o objeto de Sua utilização da forma era a demonstração de outra qualidade: amor ou sabedoria, o todo sendo energisado por uma grande VONTADE central. Deduzimos daí que esta VONTADE central poderia ser a manifestação de uma Entidade Que informa a todo o sistema, desde o átomo inferior da substância até aquela grande Vida que energisa o esquema planetário.
 
 
 
Tendo exposto estes fundamentos, passamos a considerar a evolução da vida consciente dentro da forma atómica, descobrindo que um tipo superior de consciência surge consistente-mente de cada átomo; que a consciência humana se distingue de todas as outras formas inferiores porque é auto-consciente; que o homem é uma vontade inteligente, desempenhando cada ação conscientemente, tornando-se consciente de seu meio-ambiente e elaborando uma linha definida de atividade com um objetivo específico em vista. A auto-consciência do homem leva a algo mais amplo ainda, à consciência do grande Espírito planetário, que talvez pudesse ser expresso melhor no termo "consciência grupal". À medida que a evolução progredir, o homem passará da etapa da auto-consciência na qual você e eu estamos, à conscientização do que significa consciência grupal, algo ainda praticamente desconhecido, a não ser como um belo ideal e um sonho que se poderá materializar num futuro distante. A consciência grupal, por sua vez, logicamente evoluirá até o que nós, por falta de um melhor termo, poderíamos chamar de consciência de Deus, embora eu desaprove o uso da palavra Deus, devido aos muitos choques que ele provoca, no mundo, entre os diferentes pensadores da família humana. Estas diferenças se baseiam grandemente nas diferenças de fraseologia, nos termos usados para expressar ideias fundamentais, e em métodos variados de organização.
 
 
Quando o cientista, por exemplo, fala de força ou energia e os cristãos falam de Deus e o hindu usa termos análogos a "Eu sou o que eu sou", ou o Ego, estão todos falando da única e mesma grande vida, mas perderam muito tempo procurando provar os erros, uns dos outros, e a demonstrar a precisão de sua própria interpretação.
 
 
A seguir vimos que, falando de modo geral, a evolução atômicapodia ser dividida em duas partes ou etapas; uma, chamada a etapa atômica e a outra, denominada, por não haver um termo melhor, de etapa radioativa. A etapa atômica é aquela na qual o átomo busca sua vida egocêntrica, só se preocupa com sua própria evolução e com o efeito dos contatos que faz. A medida que a evolução prossegue, torna-se claro que no seu devido tempo o átomo começa a reagir em relação a uma vida maior fora de si mesmo e então, temos o período análogo ao da construção da forma, no qual os átomos de substância são atraídos por uma carga maior de energia, ou força elétrica positiva (se quiserem chamá-la assim) que os conduz, ou atrai para si, e constrói uma forma à custa deles; estes átomos de substância, por sua vez, tornam-se então elétrons. Descobrimos, assim, que o mesmo processo é usado, tanto no nosso caso quanto no caso de cada unidade auto-consciente, e que temos uma vida central mantendo dentro de sua esfera de influência os átomos que constituem os diferentes corpos, mental, emocional e físico; que nos manifestamos, que nos movemos e vivemos nossa vida e elaboramos nossos objetivos, atraindo para nós os átomos das substâncias adequados às nossas necessidades, pêlos quais fazemos os contatos necessários. Estes átomos são, para nós, a vida central, o que os eléirons são para a carga positiva central no átomo da substância. A seguir vimos que se isso for verdade, isto é, que existe uma etapa egocêntrica, ou período puramente atômico, para o átomo, e para o átomo humano, poderíamos logicamente predizer um estágio semelhante para o átomo do planeta, habitado por sua vida central espiritual. Assim entramos no campo da especulação. Consideramos, então, se tudo que transpira sobre nosso planeta não poderia ser devido à condição egocêntrica da Entidade Que está elaborando seu objetivo por meio dele. Finalmente, levamos adiante a mesma ideia relacionada com o próprio sistema solar.
 
 
Passamos então a considerar a segunda etapa, que o cientista tem estudado em relação ao átomo do físico e do químico nos últimos vinte anos, a etapa radioativa; vimos como houve uma condição análoga a esta, na evolução do átomo humano  e que existe um período que o precede, paralelo à etapa atómica, onde o homem é puramente egoísta, totalmente egocêntrico, e não presta atenção ao bem estar do grupo a que pertence. Esta primeira etapa é bastante comum no mundo de hoje. Uma grande percentagem da família humana está na etapa atômica mas devemos lembrar-nos que é uma etapa protetora e necessária; ela é atravessada por toda unidade da família humana na busca de seu lugar no grupo e habilita-a a desenvolver algo de valor para dar ao grupo quando entrar na segunda etapa.
 
 
No mundo de hoje há também unidades da família humana que estão passando para a segunda etapa, tornando-se radioativas e magnéticas, influenciando outras formas e se tornando conscientes do grupo; estão saindo do "Eu sou" para a etapa da conscientização do "Eu sou o que"; a vida e objetivo da grande Entidade de Cujo corpo fazem parte, está começando a ser reconhecida por elas; estão-se tornando conscientes do propósito que existe por trás da vida do Espírito planetário Que é o impulso subjetivo que existe por trás da manifestação objetiva na terra. Estão começando a colaborar com Seus planos, a trabalhar pelo melhoramento de seu grupo; e a diferença entre eles e os outros átomos da família humana é que eles são conscientes do grupo, possuem um horizonte mais amplo, um reconhecimento grupal e um objetivo maior. Ao mesmo tempo, eles não perdem a consciência de si mesmos, nem sua identidade individual, sua própria vida esferoidal permanece, mas eles colocam toda a força e energia que flui deles, não ao serviço de seus próprios planos, mas numa cooperação inteligente como Vida maior da qual fazem parte. Tais homens são poucos e distantes entre si, mas quando forem mais numerosos, então podemos esperar uma mudança nas condições mundiais, e pela chegada do tempo que São Paulo menciona quando diz: "Não deveria haver divisão no corpo, mas os membros deveriam cuidar-se mutuamente. Se um membro sofrer, todos sofrerão com ele, ou se um for homenageado, todos se alegrarão com ele... é o mesmo Deus que age tudo em todos. Há diversidade de dons mas o mesmo espírito; há diferenças de ministérios (ou serviço) mas o mesmo Senhor"! Quando todos tivermos consciência grupal, quando estivermos todos conscientes do objetivo que existe por trás da manifestação no planeta, quando formos conscientemente ativos e empregarmos toda nossa energia na elaboração dos planos grupais, aí então teremos o que o cristão chama de "milênio".
 
 
Se na evolução do átomo da substância e do átomo humano temos estas duas etapas, se elas são a base de todo desenvolvimento futuro, então dentro do átomo planetário teremos as mesmas duas etapas, aquela na qual a Vida planetária está elaborando Seus próprios planos, e uma posterior, na qual Ele adere aos planos maiores da Vida que anima o sistema solar. Não estando ainda em posição de ter uma entrevista com o Espírito planetário, não sou capaz de dizer-lhes se Ele já está colaborando com os objetivos do Logos Solar; mas poderíamos obter alguma ideia dos objetivos gerais, pelo estudo da evolução da raça e do desenvolvimento dos grandes planos internacionais no planeta. Também devemos ter em mente que, embora nós, seres humanos, nos consideremos a maior e mais elevada manifestação do planeta, pode haver outras evoluções através das quais a Vida central pode estar trabalhando e das quais ainda sabemos pouquíssimo. Não deveríamos estudar só o homem, mas sim considerar também a evolução angélica, ou a evolução dévica, como o hindu a denomina. Isto nos abre um campo imenso de especulação e estudos.
 
 
Continuando, esperaremos encontrar etapas análogas no sistema solar. Provavelmente descobriremos que a grande Vida que anima todo o sistema solar, a grande Entidade que o está usando para a elaboração de um objetivo definido, lhe fornece energia por meio dos grandes centros de força a que chamamos de átomos planetários; que estes centros, por sua vez, trabalham por intermédio de centros ou grupos menores, comunicando sua energia, através de grupos de átomos humanos, aos vários reinos da natureza e, assim, ao minúsculo átomo de substância, o qual por sua vez, reflete todo o sistema solar. Se pensarmos a respeito da questão da vida atómica, veremos que ela é muito interessante, e nos leva a muitas linhas de conjecturas. Um dos principais pontos de interesse que ela abre é a íntima correlação e interação entre todas as espécies de átomo e a unidade que tudo penetra que deverá ser, finalmente, reconhecida. Se tivermos descoberto que virá uma etapa na evolução de todos os átomos, de todas as espécies, na qual eles sentem e buscam seu lugar dentro do grupo, e de positivos transformam-se em negativos em relação a uma vida maior, se for verdade que em todas estas manifestações de consciência há uma etapa auto-consciente e uma etapa de consciência grupal, não será lógico e possível que, talvez, afinal de contas, o nosso sistema solar nada mais seja do que um átomo dentro de um todo maior? Não poderá haver, para o nosso sistema solar, e para nosso Logos Solar, uma vida central maior, para a qual o Espírito dentro da esfera solar seja gradualmente atraído e a Cuja consciência nossa Divindade aspire? Não haverá indicações de tal força ou objetivo em toda parte? Haverá esferas maiores de vida solar fora do nosso sistema, que exerçam efeito definido sobre ele? Isto pode não passar de especulação mas tem seus pontos de interesse. Se estudarmos livros de astronomia e procurarmos nos certificar se os astrónomos confirmam esta hipótese, deparar-nos-emos com grande quantidade de opiniões contraditórias; descobriremos que alguns astrónomos dizem que dentro das Plêiades há um ponto central em volta do qual nosso sistema solar gira, outros dizem que o ponto magnético de atra-ção para o nosso sistema solar está na constelação de Hércules. Por outro lado acharemos isto claramente contraditório. Descobriremos que alguns astrônomos falam sobre o "impulso de estrela" e dizem que o impulso, ou tendência, de certas estrelas, tem uma direção específica; outros dizem que as distâncias são tão grandes que é impossível determinar se certos sistemas seguem ou não uma órbita definida.
 
 
Todavia, se formos a alguns dos livros antigos, os que chamamos de mitológicos (e um mito pode ser definido como algo que contém em si uma grande verdade oculta até que estejamos preparados para compreendê-la), e se estudarmos os livros antigos do Oriente, descobriremos que em todos eles há duas ou três constelações consideradas como tendo relações particularmente íntimas com nosso sistema solar. Os astrónomos modernos ainda mostram uma atitude agnóstica em relação a este ponto de vista e da visão da ciência materialista, é verdade. O que estou procurando enfatizar aqui é que um tópico que divide as opiniões dos astrônomos e cientistas mas que, todavia, é um assunto de disputa, e sobre o qual os Livros Orientais proclamam uma opinião definida, deve-se basear em um fato e que provavelmente existe um aspecto de verdade na assertiva. Pessoalmente, eu sugeriria que aquele aspecto da verdade será encontrado, não segundo ângulos físicos de interpretação, mas segundo ângulos da consciência; que é a evolução psíquica que se processa dentro de todos os átomos (usando psíquica no sentido de consciência subjetiva) que é sugerida nestes livros e a ênfase é posta numa relação oculta que teríamos com os outros sistemas solares. Aqui talvez possamos descobrir a verdade. A vida subjetiva pode ser uma; a energia que flue entre eles pode ser uma; mas a diversidade está na forma física. Talvez na evolução da inteligência, na manifestação do amor ou da consciência grupal e no desenvolvimento da vontade ou propósito, esteja a unidade, a unidade da vida subjetiva e no reconhecimento final de que, na forma, e somente na forma, estão a separação e a diferenciação.
 
 
Os antigos livros do Oriente indicam, ao considerar este assunto, que as sete estrelas da Ursa Maior, as sete estrelas das Plêiades, e o Sol Sirio, têm uma relação muito íntima com nosso sistema solar e que eles mantêm uma íntima relação magnética com nosso Logos solar.
 
 
Vimos que o objetivo do átomo da substância é a auto-consciência, e que para a Entidade Que está evoluindo por meio de um planeta, o objetivo pode ser a consciência de Deus. Agora, quando consideramos o Logos solar, as palavras faltam, contudo deve haver um objetivo para Ele. Podemos chamá-la de Consciência Absoluta, se quiserem. Exemplifiquemos novamente. Foi-nos dito que nosso corpo é formado de uma multiplicidade de pequenas vidas, ou células, ou átomos, tendo cada um sua própria consciência individual. A consciência do corpo físico, vista como um todo, poderia, do ponto de vista do átomo, ser considerada como sua consciência grupal. Temos, a seguir, a consciência do homem, o pensador. É ele quem dá energia ao corpo, e o dirige à sua vontade — isto é, para o átomo em seu corpo, análoga ao que poderíamos chamar de Consciência de Deus. A conscientização de nossa consciência está tão distante da do átomo quanto a consciência do Logos solar está distante da nossa. Agora, para o átomo de nosso corpo, não poderia aquela consciência do Logos Solar ser chamada de Consciência Absoluta? Este pensamento poderia estender-se ao átomo humano, ao átomo planetário e posteriormente poderemos declarar que o Logos solar alcança uma consciência além da Sua própria, análoga àquela que se estende entre o átomo de seu corpo e Ele próprio. Temos então uma visão maravilhosa se abrindo. Isto é, todavia, encorajador em si mesmo; porque se estudarmos minuciosamente a célula em um corpo físico, e considerarmos a longa estrada que foi percorrida entre a sua consciência e a que o homem agora sabe ser sua, temos a promessa e a esperança de conquista futura, e o incentivo para persistir em nosso esforço.
 
 
Os antigos livros do Oriente mantiveram em segredo, por muitas eras, a verdade sobre muito que só agora começa a penetrar a consciência do Ocidental. Eles ensinaram a radioatividade da matéria há milhares de anos e talvez haja, afinal de contas, uma parcela igual de verdade em seu ensinamento sobre as constelações. Talvez, nas estrelas que podemos ver nos céus distantes e na vida que nelas evolui, tenhamos o objetivo de nosso Logos solar, e as influências que fluem em sua direção, atraindo-o para elas, tornando-o, em seu devido tempo, radioativo. Os livros Orientais dizem que no sol Sirio está a origem da sabedoria e que a influência ou energia do amor emana de lá. A seguir, dizem que existe uma constelação que está mais intimamente ligada ao nosso Logos Solar, sendo a razão que Ele ainda não está suficientemente evoluído para poder responder completamente a Sirius, mas Ele pode reagir à influência das sete irmãs das Plêiades. Este grupo é bastante interessante. Se no dicionário procurarmos a palavra "eletricidade" encontraremos a sugestão que pode ter origem na estrela "Electra", uma das sete irmãs, que alguns supõem seja a pequena Plêiade perdida. Os mestres Orientais, dizem que no mistério da eletricidade está oculto todo o conhecimento, e que quando tivermos penetrado nele saberemos tudo que existe para ser conhecido. Qual passa ser a relação das Plêiades com nosso sistema solar não nos é possível dizer, mas até a nossa Bíblia Cristã a reconhece e Jó fala das 'doces influências das Plêiades', enquanto algumas das Escrituras Orientais afirmam que a relação está no som ou vibração. Talvez as Plêiades sejam a origem da vida atômica do nosso Logos, o aspecto inteligente ativo, aquele que foi primeiro desenvolvido e que poderíamos chamar de matéria elétrica.
 
 
A seguir há a Ursa Maior. Há muita coisa interessante dita nos escritos Orientais sobre a relação entre a Ursa Maior e as Plêiades. Diz-se que as sete irmãs são as sete esposas das sete estrelas da Ursa Maior. Qual será, afinal, a verdade por trás da lenda? Se as Plêiades são a origem da manifestação elétrica, o aspecto inteligente ativo do sistema solar, e sua energia a que anima toda a matéria, talvez elas representem o aspecto negativo cujo pólo oposto, ou aspecto positivo, são seus sete maridos, as sete estrelas da Ursa Maior. Talvez a união destas duas seja o que produz nosso sistema solar. Talvez estes dois tipos de energia, um das Plêiades e o outro da Ursa Maior, se encontrem e sua conjunção produza aquela incandescência nos céus que chamamos de nosso sistema solar.
 
 
A relação destas duas constelações, ou talvez sua relação subjetiva, deve realmente ter alguma base, de fato, ou não a teríamos vislumbrado nas diferentes mitologias. Deve haver algo que as una, dentre as miríades de constelações, com o nosso sistema solar. Mas quando tentamos dar-lhe uma interpretação puramente física, nos perdemos. Se a trabalharmos segundo linhas da vida subjetiva e a ligarmos como energia, qualidade, ou força, poderemos tropeçar sobre a verdade e descobrir um pouco da realidade que pode subjazer ao que à primeira vista parece ser uma fábula sem sentido. Qualquer coisa que amplie nosso horizonte, que nos habilite a uma versão maior e mais clara do que acontece no processo evolutivo, nos é valioso, não porque a acumulação de fatos verificados seja valiosa, mas devido ao que ela nos capacita a fazer dentro de nós mesmos; nossa habilidade de pensar em termos mais amplos e maiores aumenta; habilitamo-nos a ver além do nosso ponto de vista egocêntrico, e a incluir em nossa consciência aspectos diferentes do nosso. Ao fazer isto, estaremos desenvolvendo a consciência grupal, e finalmente compreenderemos que os fatos aparentemente maravilhosos enfatizados como sendo a verdade total, e pelos quais morremos e lutamos através dos tempos, não passaram, afinal de contas, de fragmentos de um plano e porções infinitesimais de uma soma total gigantesca. Talvez, então, quando voltarmos à terra e pudermos olhar as coisas que nos interessam agora e que consideramos tão importantes, descobriremos como os fatos estavam errados, como então os compreendíamos. Os fatos, em última análise, não são importantes; os fatos do século passado não são mais fatos agora, e no próximo século os cientistas talvez riam das nossas afirmações dogmáticas e se admirem de como pudemos considerar a matéria da maneira que o fizemos. é o desenvolvimento da vida e a relação da vida com tudo que a rodeia, o que realmente importa; e, acima de tudo, a influência que exercemos sobre as pessoas com quem mantemos contato e o trabalho que fazemos, que afeta, para o bem ou para o mal, o grupo onde nos encontramos.
 
 
Ao terminar está série de palestras, o melhor seria repetir São Paulo, onde ele diz:
 
 
"Considero que os sofrimentos da época atual não são dignos de serem comparados à glória que nos será revelada...porque somos salvos pela esperança... porque estou convencido que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem os poderes, nem as coisas atuais ou as que virão, nem a altura nem a profundidade, nem qualquer outra criatura, poderá nos separar do amor de Deus".
FIM

O OBJETIVO DA EVOLUÇÃO

 

Sinto-me muito acanhada ao usar um título como o Objetivo da Evolução; reconheço que somente posso tentar colocar diante de vocês algumas suposições extraídas da minha imaginação. Naturalmente, não é possível para a mente finita avaliar com precisão o plano da Divindade. Tudo que podemos fazer é estudar a história do passado, investigar as condições atuais e afirmar de algum modo as tendências raciais e naturais e acompanhar, assim, tão logicamente quanto possível, os vários degraus e etapas. Tudo que nos é facultado é partir da base sólida do conhecimento e dos fatos adquiridos, depois reuni-los e, a partir desta reunião, formar uma hipótese do que possa ser o objetivo provável. É impossível ir além.
 
 
 
Em nossas palestras sobre a evolução, como mencionei na primeira conferência, estivemos de algum modo lidando com suposições e nos preocupando com possibilidades. Algumas coisas de fato conhecemos e certas verdades foram afirmadas; contudo, até as conclusões da ciência, por exemplo, das quais tanto se falou quarenta anos atrás, não são mais consideradas como fatos, nem mais usadas ou promulgadas tão drástica e enfaticamente como eram. A própria ciência a cada ano descobre que seu conhecimento é muito relativo. Quanto mais alguém compreende e sabe, maior é o horizonte que se abre diante dele. Agora os cientistas esião se aveniurando nos planos mais sutis da matéria, e, portanto, nos reinos do que não foi comprovado, e deveríamos lembrar que até recentemente a ciência recusava admitir sua existência. Estamos ultrapassando a esfera do que chamamos de "matéria sólida" e entrando em reinos que são inferidos, quando nos referimos a "centros de energia", "força negativa e positiva" e fenómenos elétricos e tem-se dado mais ênfase à qualidade do que à substância. Quanto mais para a frente olhamos, mais amplas se tornam nossas especulações, e quanto mais tentarmos justificar fenómenos telepáticos, psíquicos e outros, mais penetraremos no reino subjetivo e subconsciente e mais seremos forçados a nos expressar em termos de qualidade ou de energia. Se, de algum modo conseguimos justificar o que não é usual e o que ainda é inexplicável para nós e determinar a realidade do oculto, provocaremos uma condição que poderia ser chamada de paradoxal. Gradualmente faremos o subjetivo tornar-se objetivo.
 
 
O assunto que vou estudar agora é algo que nos afeta muito de perto: a saber, a conquista, pelo Homem, da consciência grupal que é o seu objetivo, e as expansões de sua pequena consciência até estar à altura da consciência maior que a engloba. Vocês se lembrarão que, ao tentar explicar a diferença entre a auto-consciência, a consciência grupal e a consciência de Deus, eu a ilustrei mostrando que no pequeno átomo da substância no corpo físico, aquela minúscula vida centralizada que vai até a constituição da forma humana, tínhamos uma correspondência com a auto-consciência do ser humano; que a vida do corpo físico, considerando-a em cada um de seus departamentos como um todo, é para a pequena célula auto-suficiente o que a consciência grupal é para nós; e que a consciência do homem real, a entidade informativa dentro do corpo, é para aquele átomo o que a consciência de Deus é para nós, tão inexplicável e remota. Se pudermos ampliar este conceito do átomo em nosso corpo e sua relação com o homem, o pensador, até o átomo humano, considerando-o como uma unidade dentro de um corpo ainda maior, poderemos chegar a compreender a diferença radical entre estes três raios de consequência.
 
 
Há uma analogia muito interessante entre a evolução do átomo e a do homem (e presumo, portanto, a da Divindade planetária e a do Logos Solar) nos dois métodos de desenvolvimento que se seguem. Vimos que o átomo tem sua própria vida, atómica, e que cada átomo de substância no sistema solar é também um pequeno sistema em si, tendo um centro positivo, ou sol central, com os elétrons, ou o aspecto negativo, girando em suas órbitas ao redor dele. Tal é a vida interna do átomo, seu aspecto auto-centralizado. Registramos, também, que o átomo está sendo estudado, agora, segundo uma linha mais nova, a da radioatividade e está-se tornando aparente, em muitos casos, que há uma radiação em atividade. Até onde esta descoberta nos levará é impossível prever, porque o estudo das substâncias radioativas ainda está na sua infância e realmente muito pouco se sabe. Muita coisa do anterior ensino da Física foi revolucionado pela descoberta do rádio e quanto mais os cientistas descobrem, mais claro se torna (como eles próprios reconhecem) que estamos no limiar de descobertas muito importantes e na véspera de revelações profundas.
 
 
A medida que o ser humano evolui e se desenvolve, estas duas etapas também podem ser vistas nele. Há a era primitiva, ou atómica, na qual todo o centro de interesse do homem está dentro dele mesmo, dentro de sua própria esfera, onde o egocentrismo é a lei de seu ser, uma etapa necessária e protetora da evolução. Ele é puramente egoísta e se preocupa, antes de tudo, com seus próprios problemas. A esta etapa se sucede uma outra, posterior, na qual sua consciência começa a se expandir, seus interesses começam a se deslocar para fora de sua própria esfera particular e chega a época em que ele se preocupa com o grupo a que pertence. Esta etapa pode ser considerada como correspondendo à da radioatividade. Agora ele não é só uma vida egoísta, mas também começa a exercer um efeito definido sobre seu meio. Ele afasta sua atenção de sua vida pessoal egoísta, procura seu centro maior. Deixa de ser simplesmente um átomo para se tornar, por sua vez, um elétron e sofrer a influência da grande Vida central que o prende dentro de sua esfera de influência.
 
 
Se for assim, teremos etapas análogas transpirando dentro da vida da Divindade planetária e talvez isto explicasse várias vicissitudes e acontecimentos do planeta. Frequentemente consideramos os problemas do mundo devidos à atividade humana. A guerra mundial, por exemplo, é frequentemente considerada o resultado dos erros e fraquezas humanas. Talvez seja assim, porque indubitavelmente as condições económicas e ambições humanas podem tê-la provocado; mas talvez também pode ter ocorrido devido à concretização do propósito da grande Vida central, Cuja consciência ainda não é a nossa, Que tem Seus próprios planos, propósitos e ideias e Que, talvez, também faça Suas experiências com a vida. Em Sua escala mais ampla e em Seu próprio nível mais alto, este Espírito planetário está aprendendo a viver, a entrar em contato e está, do mesmo modo, expandindo Sua consciência. Ele próprio está na escola, do mesmo modo que cada um de nós. O mesmo pode, pois acontecer com o sistema solar e, assim, com acontecimentos de tal ordem de grandeza que escapam totalmente à nossa percepção. Talvez haja ocorrências, no sistema solar, que sejam devidas à elaboração dos planos da Divindade ou Logos, aquela Vida Central Que é a origem da energia de tudo que existe dentro do sistema solar. Não sei, mas é uma linha de pensamento interessante para nós, e não faz mal especular, se o efeito nos der uma visão mais ampla, uma tolerância maior e um otimismo mais amplo e sensato.
 
 
Tendo visto que as duas etapas, da atividade atómica e da radioatividade, caracterizam a evolução e todos os átomos no sistema solar, vejamos agora quais são os diferentes desenvolvimentos que podem ser esperados à medida que a consciência dentro do átomo humano evolui. Gostaria de centralizar nossa atenção neste tipo humano de consciência, posto que ela é a evolução central no sistema solar. Quando os três aspectos da vida divina são reunidos — a vida habitante, ou espírito, a forma material, ou veículo substancial e o fator da atividade inteligente — acontecerão certos resultados específicos. Temos o gradual desenvolvimento de consciência de uma espécie particular; o desenvolvimento da qualidade psíquica; o efeito da vida subjetiva sobre a forma material, a utilização da forma para certos fins específicos, e a conquista de certas qualidades pela entidade que nela habita. A verdadeira natureza da vida central, seja ela Deus ou homem, se manifestará no ciclo vital, seja ele solar ou humano. Isto é verdadeiro para nós, é provavelmente verdadeiro para o Logos planetário e, se verdadeiro para ele, também, portanto, para o Logos Solar.
 
 
Tentemos, se pudermos, seguir alguns dos diferentes desenvolvimentos relacionados com nossos quatro tipos de átomos — o átomo da substância, o átomo humano, o átomo planetário e o átomo cósmico. Um dos primeiros e mais importantes desenvolvimentos será a resposta consciente a cada vibração e contato — isto é, a habilidade de responder ao não--ser, em cada plano. Deixe-me ilustrar. Eu poderia ir a certos salões desta cidade e reunir uma audiência composta de trabalhadores analfabetos e não especializados, poderia falar-lhes e repetir o que disse esta noite e não obter nenhuma reação. Contudo, eu poderia fazer uma palestra que pronunciei dez anos atrás, estritamente na linha do Evangelho, e obter uma reação imediata. Aqui a questão do certo ou errado não conta, mas simplesmente a diferença na capacidade de diferentes tipos de homens, em diferentes etapas de evolução, para reagir ao contato e vibração. Isto simplesmente significa que certas pessoas estão num estágio onde podem ser atingidas por um apelo emocional e podemos nos ocupar delas na linha de sua salvação pessoal, porque ainda estão na etapa atómica anterior. Há outro estágio que inclui aquele, mas que capacita as pessoas a responder também a um apelo mais intelectual, o qual lhes dá um certo interesse e satisfação no tipo de discussões que temos desenvolvido e que significa investigação dos assuntos que dizem respeito ao grupo, por exemplo. Mas ambos os estágios são igualmente corretos.
 
 
Podemos considerar este assunto por um outro ângulo: é bem possível que encontremos grandes pessoas, homens e mulheres maravilhosos, e que não fiquemos impressionados por eles; poderíamos passar por eles sem reconhecê-los e assim perder o que eles têm para nos dar. Isto aconteceu na Palestina em relação ao Cristo, dois mil anos atrás. Por que? Porque nós próprios ainda não somos grandes o bastante para reagir a eles. Algo ainda falta em nós, que nos impede de compreender ou sentir sua especial vibração. Ouvi dizerem, e acho que é verdade, que se Cristo voltasse à terra e caminhasse entre os homens como fez antes, poderia viver entre nós dia após dia e nada notaríamos de diferente, Nele, das outras pessoas boas e desprendidas que conhecemos. Ainda não cultivamos em nós a capacidade de responder ao divino em nosso irmão. Normalmente só vemos o que é mau e grosseiro e tomamos ciência, principalmente, das falhas de nosso irmão. Ainda somos insensíveis às melhores pessoas. Outro desenvolvimento será que, agora, poderemos funcionar conscientemente em todos os planos da existência. Agora funcionamos conscientemente no plano físico e há algumas pessoas que são capazes de funcionar com igual consciência no plano mais sutil seguinte, o chamado plano astral (palavra que me desgosta porque não transmite um significado real às nossas mentes), ou plano da natureza emocional, no qual um homem está ativo quando fora do corpo físico, nas horas de sono ou logo após a morte. Muito poucos seres humanos podem funcionar no plano mental com a consciência totalmente desperta e menos ainda funcionam no plano espritual. O objetivo da evolução é que deveríamos funcionar conscientemente, com plena continuidade de percepção nos planos físico, emocional e mental. Esta é a grande realização que um dia será nossa. Saberemos então o que fazemos cada hora do dia e não somente durante cerca de qua-torze horas em cada vinte e quatro. Atualmente não temos noção de onde fica a verdadeira entidade pensante durante as horas de sono. Não sabemos quais são suas atividades, nem a condição de seu meio ambiente. Algum dia utilizaremos cada minuto das horas do dia.
 
 
O outro objetivo da evolução é tríplice, isto é, que tenhamos vontade, amor e energia coordenados, o que por enquanto não acontece. Dispomos agora, continuamente, de muita energia inteligente, mas é verdadeiramente muito raro encontrar uma pessoa cuja vida seja animada por um objetivo central constantemente seguido e que seja animada e instigada pelo amor atuando através da atividade inteligente. Todavia, está chegando o tempo em que teremos expandido nossa consciência a tal ponto que seremos tão ativos interiormente que nos tornaremos radioativos. Veremos, então, um objetivo definido, que será a consequência do amor, e alcançaremos nosso objetivo pela inteligência. Isto é tudo o que Deus faz, não é? Em nossa etapa de desenvolvimento atual, certamente somos inteligentes, mas ainda há muito pouco amor. Podemos amar um pouco as pessoas que encontramos ou com quem mantemos contato, e alimentar um amor maior por nossa família e amigos próximos, mas não sabemos quase nada do amor grupal. Quando o amor grupal nos for proclamado pelos grandes idealistas da raça, será indubitavelmente verdade que teremos alcançado a etapa onde poderemos reagir a ele de algum modo e sentiremos que ele é algo que gostaríamos de ver realizado. É bom lembrar que quanto mais pensarmos em linhas definitivamente altruisticas, melhor construiremos algo de valor muito grande e desenvolveremos vagarosa e laboriosamente os rudimentos de uma real consciência grupal, a qual ainda está muito distante da maioria de nós.
 
 
Há vários outros desenvolvimentos com os quais nos poderíamos ocupar durante nosso processo evolutivo mas que se acham tão à nossa frente que são praticamente inconcebíveis, a não ser que tivéssemos um tipo especial de mente capaz de algum modo de pensar abstrato. Há a etapa na qual poderemos transcender ao tempo e ao espaço, quando a consciência do grupo em todas as partes do planeta, por exemplo, for nossa consciência, e quando nos for tão fácil entrar em contato com a consciência de um amigo na índia, África ou qualquer outro lugar, como se ele estivesse aqui; a separação e a distância não serão barreiras para o relacionamento. Pode-se ver sintomas disto na habilidade com que algumas pessoas se comunicam telepaticamente ou praticam a psicometria. é interessante gastar algum tempo visualizando este objetivo distante e imaginando a realização do Logos bilhões de anos à frente, porém o que é de vital interesse é obter alguma ideia da próxima etapa; e compreender o que podemos esperar que aconteça, relacionado ao processo evolutivo durante os próximos milhares de anos. Consideremos esta ideia. Há, como sabemos, três linhas gerais de pensamento no mundo: a científica, a religiosa e a filosófica. O que temos nelas? Na linha de pensamento científico, englobamos tudo o que diz respeito à matéria, ao aspecto substância da manifestação; ela lida com a objetividade e com o que é material, tangível e visto; literalmente, com o que pode ser provado. No pensamento religioso, temos o que diz respeito à vida dentro da forma, ao que lida com a volta do espírito à sua origem, mais tudo o que se tem adquirido pelo uso da forma; ele se refere ao lado subjetivo da natureza. No pensamento filosófico temos o que eu poderia chamar a utilização da inteligência pela vida que habita, a fim de que a forma possa ser adaptada adequadamente à sua necessidade. Estudemos, nesta ligação, certos desenvolvimentos que poderemos procurar no futuro próximo, lembrando que tudo que eu disser tem a intenção de ser sugestivo e que eu falo sem qualquer espírito dogmático.
 
 
É óbvio, para a maioria dos pensadores, que a ciência, tendo começado o estudo da radioatividade, está no limite da descoberta de qual é a natureza da força que existe dentro do próprio átomo; é bastante provável que, muito em breve, venhamos a aproveitar a energia da matéria atómica para qualquer propósito imaginável, para aquecimento, iluminação e para tudo o que se faz no mundo. Aquela força, como alguns de nós já sabem, quase foi descoberta nos Estados Unidos cinquenta anos atrás, por um homem chamado Keely, mas não lhe foi permitido participar isso ao mundo por causa do perigo que a descoberta envolvia. Os homens ainda são egoístas demais para que lhes seja confiada a distribuição da energia atómica. Aquela descoberta provavelmente será paralela ao desenvolvimento da consciência grupal. Só quando o homem se tornar radioativo e puder trabalhar e pensar em termos de grupo, será sensato e seguro para ele utilizar a força latente no átomo. Tudo na natureza é muito bem coordenado e nada pode ser descoberto ou utilizado antes da hora certa. Só quando o homem tornar-se desprendido é que esta força tremenda poderá passar às suas mãos. Todavia, admito que a ciência fará tremendo progresso na compreensão da energia atómica. Então, paralelamente à evolução do ser humano, podemos antecipar que o homem dominará o ar. Há uma grande esfera ou plano vibratório no sistema solar, chamado de plano intuitivo em alguns livros de ocultismo; na literatura oriental é chamado de plano Búdico, e seu símbolo é o ar. Do mesmo modo que o homem está começando a encontrar seu caminho através do desenvolvimento da intuição para aquele plano, agora a ciência está começando a descobrir como dominar o ar, e à medida que sua intuição se desenvolver e crescer, o seu controle do ar se desenvolverá e crescerá. Outra coisa que podemos esperar (e está sendo reconhecida de algum modo) é o desenvolvimento da habilidade de ver na matéria mais sutil. Em todos os lugares há crianças nascendo que vêem mais do que cada um de nós. Refiro-me a algo que se baseia exclusivamente em bases materiais e diz respeito ao olho físico. Refiro-me à visão etérica que vê na matéria mais fina do plano físico ou no que é chamado éter. Estudantes e cientistas na Califórnia têm feito um trabalho muito interessante neste assunto. O Dr. Frederick Finch Strong tem trabalhado nesta linha de maneira valiosa, ensinando que o olho físico é capaz de ver etericamente e que a visão etérica é a função normal do olho. O que significará o desenvolvimento desta faculdade? Significará que a ciência terá que reajustar definitivamente seu ponto de vista relativamente aos planos mais sutis. Se certos aspectos e formas de vida que até agora têm sido considerados como imaginários chegarem ao alcance da visão do homem ou da mulher normais nos próximos cem anos, teremos interrompido de uma vez por todas aquele materialismo rançoso que nos têm caracterizado há tanto tempo e se o que agora é invisível for reconhecido ao longo de qualquer unha especial, quem dirá até onde seremos capazes de ir à medida que o tempo passa? Toda a tendência da evolução é para a síntese. À medida que penetramos na matéria, que tendemos à materialização, temos a heterogeneidade; à medida que trabalharmos de volta para o espírito, tenderemos à unidade, de modo que podemos esperar o aparecimento da unidade no mundo religioso. Mesmo agora, há um espírito de tolerância muito maior, no exterior, do que cinquenta anos atrás; mas a época da grande unidade fundamental que subjaz a todas as religiões está se aproximando rapidamente e o fato que cada fé é uma parte essencial de um grande todo será reconhecido pêlos homens em toda parte e por este reconhecimento teremos a simplificação da religião. Os grandes fatos centrais serão enfatizados e usados e as pequenas e mesquinhas diferenças de organização e de explicação não serão levadas a sério.
 
 
Podemos também esperar um acontecimento muito interessante, em relação à família humana porque, quando a consciência grupal tornar-se, em escala maior, a consciência objetiva do homem, o que ocorrerá? Teremos o homem pisando aquilo que no mundo religioso é chamada de "O Caminho". Nós o veremos responsabilizar-se por si mesmo, empenhando-se para viver a vida do espírito, recusando viver uma vida atómica egoísta; nós o veremos procurar seu lugar dentro do todo maior, encontrando-o pelo empenho definido e espontaneamente unindo-se àquele grupo.
 
 
Este é o significado real do ensinamento dado sobre o Caminho nas igrejas católica, protestante e budista. Todas elas ensinam como trilhar este Caminho, chamando-o por nomes diferentes tais como o Caminho, o nobre Caminho "Octuplo", o Caminho da Iluminação ou o Caminho da Santidade. Contudo é o único Caminho, aquele que brilha cada vez mais, até o dia perfeito.
 
 
Podemos também esperar pelo desenvolvimento do poder de pensar em termos abstratos, e pelo despertar da intuição. À medida que as grandes raças se sucederam no planeta, houve um desenvolvimento ordenado, dirigido, dos poderes da alma e uma sequência definitivamente planejada. Na terceira Raça Raiz, a Lemuriana, o aspecto físico do homem alcançou um alto estágio de perfeição. Mais tarde, na grande raça que precedeu a nossa, a atlante, e que pereceu no dilúvio, desenvolveu-se a natureza emocional do homem. A seguir, na raça à qual pertencemos, a ariana, ou quinta raça, o objetivo é o desenvolvimento da mente concreta ou inferior e isto estamos desenvolvendo a cada década. Alguns estão também começando a desenvolver o poder de pensar em termos abstratos.
 
 
 
Quando for este o caso, veremos mais daquela interessante, especial capacidade que algumas pessoas demonstram e evidenciam, a que chamamos de capacidade de ser inspirado. Não estou falando aqui de mediunidade nem quero dizer capacidade mediúnica. Não há nada mais perigoso do que o usualmente compreendido pelo termo "médium". O médium comum é um homem de natureza negativa ou receptiva e normalmente é coordenado tão imprecisamente em sua natureza tríplice que uma força ou entidade exterior pode usar seu cérebro, mão ou corpo. É um fenómeno bastante comum. A escrita automática, as pranchetas de quija e as sessões espíritas de baixa categoria são muito comuns hoje em dia e estão levando milhares à loucura ou a distúrbios nervosos. Mas há algo do qual a mediunidade é simplesmente uma distorção, e isto é a inspiração. Poder ser inspirado significa que uma mente humana alcançou uma etapa, em sua evolução, na qual ela está consciente e positivamente sob o controle do seu eu superior, o Deus interno. Este regente interno, o eu real, pode, pelo contato definido, controlar seu cérebro físico e tornar o homem capaz de tomar decisões e de compreender a verdade, completamente separada da faculdade de raciocinar; este Deus interno pode habilitar o homem a falar, escrever e chegar a verdade sem usar a mente inferior. A verdade está dentro de nós. Quando pudermos entrar em contato com nosso Deus interno toda a verdade nos será revelada. Seremos Conhecedores. Isto porém, é uma coisa positiva e não negativa, e significa a colocação de alguém em alinhamento direto, consciente, com o próprio Ego ou eu superior e não abrir a personalidade para qualquer entidade ou fantasma.
 
 
Pode-se ver esta ocorrência agora, ocasionalmente, mas não é com frequência que o homem comum entra em contato com seu eu superior. Só em nossos momentos de maior empenho, só nas grandes crises de nossas vidas e só como resultado de longa disciplina e meditação árdua, isto pode ocorrer.
 
 
Algum dia, porém governaremos toda nossa vida não do ponto de vista pessoal, egoísta, mas do ponto de vista do Deus interno, Que é uma revelação direta do Espírito no plano superior. O ponto final que desejo expor esta noite é que o objetivo para cada um de nós é o desenvolvimento dos poderes da alma ou da psique. Isto significa que você e eu vamos ser psíquicos. Mas não estou usando esta palavra "psíquico" como é normalmente compreendida em sua conotação diária. A psique é, literalmente, a alma interior, ou o eu superior, que emerge do ser inferior tríplice, do mesmo modo que a borboleta sai da crisálida; é aquela bela realidade que vamos produzir como resultado de nossa vida ou vidas aqui em baixo. Os verdadeiros poderes psíquicos são aqueles que nos põem em contato com o grupo. Os poderes do corpo físico, que usamos cada dia, nos põem em coníato com os indivíduos, mas quando tivermos desenvolvido os poderes da alma e desenvolvido suas potencialidades, seremos verdadeiros psíquicos. Quais são estes poderes? Tudo que posso fazer esta noite é enumerar alguns entre muitos.
 
 
Um é o controle consciente da matéria. A maioria de nós controla nossos corpos físicos conscientemente, fazendo-os levar avante nossos comandos no plano físico. Alguns controlam as emoções conscientemente, mas poucos entre nós podem controlar a mente. A maioria é controlada por nossos desejos e por nossos pensamentos. Mas está chegando a época em que controlaremos conscientemente nossa natureza tríplice inferior. Então, o tempo não existirá de modo algum para nós. Teremos aquela continuidade de consciência nos três planos de existência, físico, emocional e mental — os quais nos habilitarão a viver, como o Logos, naquela abstração metafísica, o Eterno Agora.
 
 
Outro poder da alma é a psicometria. Que é psicometria? Poderia ser definida como a habilidade de tomar de uma coisa tangível, talvez pertencente a um indivíduo e, por intermédio daquilo, pôr-se en rapport com aquele indivíduo ou com um grupo de indivíduos. A psicometria é a lei de associação de ideias aplicada à qualidade vibratória e força com o propósito de obter informação.
 
 
Além disso, a raça se tornará clariaudiente e clarividente, o que significa a capacidade de ouvir e ver tão claramente e agudamente nos planos mais sutis, como o fazemos no físico. Isto envolverá a capacidade de ouvir e ver tudo que diga respeito ao grupo — isto é, ouvir e ver nas quarta e quinta dimensões. Não sou matemática o bastante para tentar explicar estas dimensões e sou capaz de ficar confusa ao considerá-las, mas uma ilustração que me foi dada pode tornar a coisa toda um pouco mais clara:
 
 
Um jovem pensador sueco explicou-me assim: "A quarta dimensão é a habilidade de ver através e em torno de uma coisa. A quinta dimensão é a capacidade, por exemplo, de tomar um olho e, por meio desse olho, colocar-se en rapport com todos os outros olhos no sistema solar. Ver na sexta dimensão pode ser definido como o poder de tomar de um grão de areia da praia e, por meio dele, pôr-se em sintonia com todo o planeta. Então, na quinta dimensão, onde tomaram o olho, vocês estariam limitados a uma linha particular de manifestação, mas no caso da sexta dimensão, onde usaram o grão de areia, vocês entrariam em contato com todo o planeta". Isto é algo que está muito à nossa frente mas é interessante falar sobre isto, e contém uma promessa para todos.
 
 
Não há tempo para lidar com os outros poderes, nem eu posso enumerar quais serão eles. Curar pela aposição da mão estará entre eles. A manipulação dos fluidos magnéticos e a criação consciente por meio da cor e do som são outros. Tudo o que nos diz respeito realmente é que agora deveríamos tomar a responsabilidade conscientemente, e procurar mais e mais ficar sob o controle do regente interno, empenhar-nos para nos tornar radioativos e desenvolver a consciência grupal.

A EVOLUÇÃO DA CONSCIÊNCIA


Na última semana nós estudamos, muito inadequadamente, a evolução do homem, o pensador, o morador dos corpos, aquele que os usa durante o ciclo da evolução. Vimos que ele era a síntese das evoluções que o precederam. Preparamos o estudo daquela evolução em duas palestras anteriores, nas quais primeiro consideramos a substância, ou matéria atómica anterior ao seu desenvolvimento até uma forma, ou o minúsculo átomo antes de ser incorporado num veículo de qualquer espécie. A seguir, estudamos a construção das formas por meio da grande lei de atração, a qual reuniu os átomos, fazendo-os vibrar em uníssono, produzindo assim uma forma, ou uma reunião de átomos. Chegamos ao reconhecimento de que, na substância atómica, tínhamos um aspecto da Cabeça de Deus, ou da Divindade, e da Força ou energia central do sistema solar, manifestando-se sob o aspecto da inteligência, e vimos que no aspecto formal da natureza manifestava-se uma outra qualidade da Divindade, a do amor ou atração, a força de coesão que mantém a forma unida. A seguir estudamos o ser humano, ou homem, e anotamos como os três aspectos divinos se reuniram nele; e reconhecemos o homem como uma vontade central se manifestando por meio de uma forma composta de átomos e apresentando as três qualidades de Deus, a da inteligência, a da sabedoria-amor e a da força de vontade.
 
 
Hoje sairemos do aspecto da manifestação da matéria com o qual temos lidado nas palestras anteriores, e vamos estudar a consciência dentro da forma. Vimos que o átomo pode ser considerado como a vida central, manifestando-se por meio de uma forma esferoidal e apresentando a qualidade da mente; mas o átomo humano pode também ser considerado como uma vida central positiva, utilizando uma forma e apresentando as diferentes qualidades que enumeramos; e a seguir dissemos que, se estivéssemos certos em nossa hipótese sobre o átomo, e se estivéssemos certos ao considerar o ser humano como um átomo, então poderíamos estender esta concepção primária ao planeta e dizer que dentro do átomo planetário há uma grande Vida se manifestando através de uma forma e mostrando qualidades específicas enquanto elabora um objetivo específico; e estender este mesmo conceito também à grande esfera solar e à grande Divindade Que o habita.
 
Tomemos a questão da própria consciência e estudemos um pouco o problema, ocupando-nos com a reação da vida dentro da forma. Se eu puder deste modo dizer-lhes em linhas gerais o que foi mencionado antes, poderei colocar outra pedra na estrutura que estou tentando construir.
 
 
A palavra consciência vem de duas palavras latinas: com (com); escio (saber) e literalmente significa "aquilo com o qual sabemos". Se tomarmos um dicionário, encontraremos a seguinte definição: "O estado de estar alerta" ou a condição de percepção, a habilidade de reagir a estímulos, a faculdade de reconhecer contatos e o poder de sincronizar a vibração. Todas estas expressões poderiam ser incluídas em qualquer definição de consciência, mas a que eu quero enfatizar esta noite é a que é dada no Standard Dictionary e que já mencionei antes. O pensador comum que manuseia a maioria dos livros que discutem este assunto está propenso a considerá-los muito confusos, porque eles dividem a consciência e o estado de estar alerta em numerosas divisões e subdivisões até que se estabelece um estado de completa perplexidade. Esta noite só mencionaremos três tipos de consciência, que poderíamos assim enumerar: Consciência absoluta, consciência universal e consciência individual, e destas três só se pode, realmente, definir duas com alguma clareza.
 
 
A consciência absoluta é praticamente impossível de ser reconhecida pelo pensador comum. Foi definida em um livro como: "Aquela consciência na qual tudo existe, tanto o possível quanto o real", e diz respeito a tudo que possa ser concebido como tendo acontecido, como ocorrendo ou por acontecer. Possivelmente, esta é a consciência absoluta, e do ponto de vista da consciência humana, ela é a consciência de Deus, Que contém Nele o passado, o presente e o futuro. Que é, então, a consciência universal? Poderia ser definida como a consciência, pensando-se em tempo e espaço, consciência com a ideia de locação e sucessão nela incluída ou, na verdade, consciência grupai, o próprio grupo formando uma unidade maior ou menor. Finalmente, a consciência individual pode ser definida como a parcela da consciência universal que uma unidade separada pode contatar e conceber por si mesma.
 
 
Para compreender estas expressões vagas — consciência absoluta, universal e individual — seria útil se eu tentasse ilustrar. Poderia ser feito como se segue: Em nossas palestras anteriores vimos que devemos considerar o átomo no corpo humano como uma pequena entidade, uma vida minúscula, inteligente, e uma esfera microscópica, ativa. Tomando aquela pequena célula como nosso ponto de partida, podemos obter um conceito do que são estes três tipos de consciência, considerando-as do ponto de vista do átomo e do homem. A consciência individual, para o átomo minúsculo em um corpo humano, seria sua própria vida vibratória, sua própria atividade interna e tudo que especificamente lhe diga respeito. A consciência universal, para a pequena célula, poderia ser considerada como a consciência de todo o corpo físico, considerando-o como a unidade que incorpora o átomo. A consciência absoluta, para o átomo, poderia ser considerada como a consciência do homem que pensa, o qual dá energia ao corpo. Isto seria, para o átomo, algo tão remoto, do ponto de vista de sua própria vida interior, que seria praticamente inconcebível e desconhecido. Contudo, ela projeta na linha de sua vontade a forma e o átomo dentro da forma, e tudo que lhes diz respeito. Esta ideia só tem de ser ampliada até o homem, considerado como um átomo ou célula dentro do corpo de uma grande Entidade, e pode-se elaborar linhas semelhantes segundo esta concepção de uma consciência tríplice. Seria prudente agora se considerássemos assuntos mais práticos do que a consciência absoluta.
 
 

A ciência ocidental está gradualmente chegando à conclusão da filosofia esotérica do Oriente, de que a consciência deve ser atribuída não só ao animal e ao ser humano, mas que se deve também reconhecer que ela se estende através do reino vegetal até o mineral, e que a auto-consciência deve ser considerada como a consumação do crescimento evolutivo da consciência nos três reinos inferiores. Não é possível, no curto espaço de tempo que tenho à minha disposição, entrar no estudo fascinante do desenvolvimento da consciência no reino animal, no reino vegetal, e seu aparecimento também no reino mineral; descobriríamos, se o fizéssemos, que até os minerais apresentam sintomas de consciência, de reação a estímulos, que eles apresentam sinais de cansaço e que é possível envenenar um minera! e assassiná-lo, do mesmo modo que se pode assassinar um ser humano. O fato de que as flores possuem consciência está sendo mais prontamente reconhecido, e artigos de profundo interesse têm sido publicados sobre a consciência das plantas, abrindo ampla linha de pensamento. Vimos que na matéria atómica a única coisa que lhe podemos atribuir com segurança é que ela mostra inteligência, o poder de selecionar e de discriminar. Esta é a caraterística predominante da consciência, quando se manifesta no reino mineral. No reino vegetal aparece outra qualidade, a da sensação ou sentimento de natureza rudimentar. Ele responde de maneira diferente do mineral. No reino animal aparece uma terceira reação; não só o animal mostra sinais de sensação muito aumentados em relação ao reino vegetal, como também mostra sinais de intelecto, ou mente em embrião. O instinto é uma faculdade reconhecida em todas as unidades animais, e a palavra vem da mesma raiz que a palavra "instigar". Quando o poder de instigar começa em qualquer forma animal, é sinal de que uma mentalidade embrionária começa a se manifestar. Em todos estes reinos temos diferentes graus e tipos de consciência se manifestando, enquanto no homem temos os primeiros sintomas de auto-consciência, ou a faculdade do homem pela qual ele se conscientiza de que é uma identidade separada, que é o impulso que habita o corpo e quem está no processo de se conscientizar por meio destes corpos. Há muito se ensina isto no Oriente e "a filosofia esotérica ensina que tudo vive e é consciente, mas que nem toda vida e consciência é semelhante à humana", e ela também enfatiza o fato de que "existem grandes intervalos entre a consciência do átomo e a da flor, entre a da flor e a do homem e entre a de um homem e um Deus". Como Browning disse: "No homem começa de novo uma tendência para Deus". Ele ainda não é um Deus, mas um Deus em formação; ele está elaborando a imagem de Deus, e um dia a produzirá perfeitamente.
 
 
É ele que está procurando demonstrar a vida tríplice, divina e subjetiva, por meio da objetiva.
 
 
O método do desenvolvimento evolutivo da consciência em um ser humano nada mais é do que uma repetição, numa volta mais alta da aspirai, das duas etapas que notamos na evolução do átomo, a da energia atómica e a da coesão grupai. Atualmente podemos ver no mundo a família humana na era atómica se encaminhando para um objetivo ainda não alcançado, a etapa grupal.
 
 
Se existe uma coisa aparente para todos os que estamos de algum modo interessados na faculdade da percepção, e que estamos acostumados a prestar atenção ao que acontece à nossa volta, é a dos graus diferentes de mentalidade que encontramos em toda parte, e os diferentes tipos de consciência entre os homens. Encontramos pessoas alertas, vivas, conscientes de tudo o que está acontecendo, profundamente conscientes, respondendo às correntes de pensamento de várias espécies nos assuntos humanos e conscientes de toda espécie de contatos; a seguir encontramos pessoas que parecem estar adormecidas; há, aparentemente, tão pouca coisa que as interessa; parecem estar totalmente alheias ao contato; estão ainda num estágio de inércia e não são capazes de responder a muitos estímulos exteriores; não estão mentalmente vivas. Nota-se isto também nas crianças; algumas respondem tão depressa, enquanto chamamos outras de retardadas. Realmente, uma não é essencialmente mais retardada que a outra; é simplesmente devido à etapa de evolução interior da criança, a suas encarnações mais frequentes e ao período maior que tem utilizado para se tornar consciente.
 
 
Tomemos agora as duas etapas, a atómica e a da forma, e vejamos como se desenvolve a consciência do ser humano, tendo sempre em mente que no átomo humano está armazenado tudo o que foi adquirido nas etapas anteriores dos três reinos inferiores da natureza. O homem é o ganhador devido ao amplo processo evolutivo que existe por trás dele. Ele começa com tudo, que foi adquirido, latente dentro de si. Ele é auto-consciente e tem, diante de si, um objetivo definido, a conquista da consciência grupai. Para o átomo da substância a meta havia sido a conquista da auto-consciência. Para o ser humano o objetivo é uma Consciência maior e um alcance mais amplo da percepção.
 
 
A etapa atómica, a qual estamos considerando agora, é particularmente interessante para nós, porque é a etapa em que a maioria dos membros da família humana se encontra. Nela passamos pelo período (muito necessário) de auto-centraliza-ção, aquele ciclo no qual o homem está primordialmente pré-ocupado com seus próprios assuntos, com aquilo que particularmente o interessa, e vive sua própria vida intensa, interna, vibrante. Durante um longo período anterior a este, e talvez na etapa atual (porque eu não acredito que muitos de nós sentir-se-iam insultados se não fôssemos considerados como tendo alcançado a perfeição ou atingido o objetivo) a maioria dos seres humanos é intensamente egoísta e só mentalmen^interes-sada nas coisas que acontecem no mundo e, então, (Wovavel-mete porque nossos corações são tocados e não gostamos de nos sentir desconfortáveis, ou nos interessamos porque está na moda; e contudo, apesar desta atitude mental, toda nossa atenção está voltada para as coisas que dizem respeito à nossa vida individual. Estamos na etapa atómica, intensamente ativa em relação aos nossos problemas pessoais. Olhem as aglomerações nas ruas de qualquer cidade grande e verão, em toda parte, pessoas na era atómica preocupadas só com elas próprias, centralizadas em seus negócios, absortas em obter seu próprio prazer, desejosas de diversão e só incidentalmente preocupadas com os problemas relacionados com o grupo. Esta é uma etapa protetora e necessária e de valor essencial a cada unidade da família humana. Esta conscientização, portanto, nos levará, seguramente, a ser pacientes com nossos irmãos e irmãs que tão frequentemente poderão nos irritar.
 
 
Quais são os dois fatores pêlos quais evoluímos para dentro e para fora da etapa atómica? No Oriente , há muitas eras, o método de evolução tem sido duplo. Foi ensinado ao homem que ele evolue e se torna consciente, primeiramente por meio dos cinco sentidos, e mais tarde pelo desenvolvimnto da faculdade do discernimento, unida à despaixão. Aqui no Ocidente primeiro enfatizamos os cinco sentidos e não ensinamos o discernimento que é tão essencial. Se observarmos o desenvolvimento de uma criança notaremos, por exemplo, que o bebé normalmente desenvolve os cinco sentidos em uma sequência ordenada. O primeiro sentido que ela desenvolve é a audição; ela moverá a cabeça quando ouvir um barulho. O próximo sentido será o tato e ela começa a sentir com suas mãozinhas. O terceiro sentido que parece despertar é o da visão. Não quero dizer com isto que um bebé não enxergue, ou que nasça cego como um gatinho, mas passam-se várias semanas até que um bebé possa ver conscientemente e reconhecer pelo olhar. A faculdade está lá, mas não há conscientização. O mesmo acontece com as expansões graduais de consciência e percepções que estão à nossa frente hoje. Nestes três sentidos principais, audição, tato e visão, temos uma analogia muito interessante e uma ligação com a tripla manifestação da Divindade, o ser, o não-ser, e a relação intermediária. Ocultamente, o ser ouve e responde à vibração, conscientizando-se desse modo. Ele se torna consciente do não-ser, e de sua tangibilidade, pelo tato, mas é somente quando a visão ou reconhecimento consciente atua, que a relação'entre os dois se estabelece. Mais dois sentidos são utilizados pelo ser ao fazer seus contatos, o do paladar e o do olfato, mas eles não são tão essenciais ao desenvolvimento da consciência inteligente quanto os outros três.
 
 
Por meio destes cinco sentidos fazemos qualquer contato possível no plano físico; por intermédio dele aprendemos, crescemos, tornamo-nos conscientes e nos desenvolvemos; por meio deles evoluem os grandes instintos; eles são os grandes sentidos protetores, que nos habilitam não só ao contato com nosso meio-ambiente, mas também nos protegem deste meio-ambiente. Então, tendo aprendido a ser unidades inteligentes por meio destes cinco sentidos e tendo, por meio deles, expandido nossa consciência, atingimos uma certa crise e outro fator aparece, o do discernimento inteligente. Aqui estou eu me referindo ao discernimento que uma unidade autoconsciente demonstra. Refiro-me àquela escolha consciente que você e eu evidenciamos, e que seremos forçados a utilizar à medida que a força da evolução nos leve ao ponto onde aprenderemos a distinguir entre o ser e o não-ser, entre o real e o irreal, entre a vida dentro da forma e a forma que ela usa, entre o conhecedor e o que é conhecido. Aqui temos todo o objeto da evolução, a conquista da consciência do ser real por meio do não-ser.
 
 
Passamos por um longo período, ou ciclo, de muitas vidas, no qual nos identificamos com a forma e de tal maneira nos identificamos com o não-ser que não percebemos qualquer diferença, estando inteiramente ocupados com as coisas transitórias e temporárias. É esta identificação com o não-ser que leva a toda dor, insatisfação e tristeza no mundo e, contudo, devemos lembrar-nos de que através desta reação do ser ao não-ser, inevitavelmente aprendemos e, finalmente, nos livramos do transitório e do irreal. Este ciclo de identificação com o irreal é paralelo à etapa da consciência individual. Como o átomo da substância precisa de algum modo encontrar seu caminho para alguma forma e adicionar sua quota de vitalidade a uma unidade maior, da mesma maneira, pelo desenvolvimento evolutivo da consciência, o átomo humano deve alcançar um ponto onde ele reconheça seu lugar num todo maior e assuma sua responsabilidade na atividade grupai. Esta é a etapa da qual um grande número da família humana está agora se aproximando. Os homens estão se conscientizando, como nunca, da diferença entre o real e o irreal, entre o permanente e o transitório; através da dor e do sofrimento estão despertando para o reconheci-mnto de que o não-ser não é o bastante e estão pesquisando tanto do lado de fora quanto do lado de dentro, em busca daquilo que seja mais adequado às suas necessidades. Os homens estão procurando compreender a si mesmos, encontrar o Reino de Deus dentro de si e, pela Ciência Mental, pelo Pensamento Novo e pelo estudo da psicologia, atingirão certos graus de conscientização de valor incalculável para a raça humana. Portanto, deve-se encontrar indicação de que a etapa da forma está-se aproximando rapidamente e que os homens estão saindo do período atómico para algo muito melhor e maior. O homem está começando a sentir a vibração daquela Vida maior dentro de Cujo corpo ele nada mais é do que um átomo e está começando a responder conscientemente, em escala pequena, ao grande chamado e a encontrar possíveis canais pêlos quais ele possa entender a Vida maior, que ele sente, mas contudo, ainda não conhece. Se persistir nisto, ele encontrará seu grupo e trocará, então, de centro. Ele não ficará mais limitado por sua própria pequena parede atómica, mas a ultrapassará e tornar-se-á, por sua vez, uma parte ativa, consciente, inteligente, do todo maior.
 
 
E como se efetua esta mudança? A etapa atómica desenvolveu-se através dos cinco sentidos e da utilização da faculdade da discriminação. O estágio no qual o homem desperta para a conscientização grupai e se torna um participante consciente nas atividades do grupo se efetua de duas maneiras: pela meditação e por uma série de iniciações. Quando emprego a palavra "meditação" não quero dizer o que talvez habitualmente se compreenda por aquela palavra, um estado mental negativo, receptivo ou um estado de transe. Há muita falsa interpretação, hoje em dia, em relação ao que a meditação realmente seja e há muito da chamada meditação que foi descrita por alguém, não há muito tempo, como "Eu fecho meus olhos, abro minha boca e espero que algo aconteça". A verdadeira meditação é algo que requer a mais intensa aplicação da mente, o máximo controle de pensamento e uma atitude nem negativa nem positiva, mas um perfeito equilíbrio entre as duas. Nas Escrituras Orientais, o homem que tenta a meditação e atinge seus resultados é descrito assim — e da consideração destas palavras podemos obter muita ajuda e esclarecimento: "O Maha logue, o grande asceta, em quem está centralizada a mais elevada perfeição de penitência austera e da meditação abstraia, pela qual se atinge os mais ilimitados poderes, operam-se maravilhas e milagres, adquire-se o mais elevado conhecimento espiritual e se atinge finalmente a união com o grande Espírito do universo". Aqui, esta união com a vida grupai é considerada como o resultado da meditação e não há outro método para consegui-la.
 
 
A meditação verdadeira (cujas etapas preliminares são a concentração e aplicação de qualquer particular linha de pensamento) diferirá para pessoas diferentes e tipos diferentes. O homem religioso, o místico, centralizará sua atenção na vida dentro da forma, em Deus, em Cristo, ou naquilo que para ele personifica o ideal. O homem de negócios ou o profissional, que durante suas horas de trabalho está claramente centralizado no assunto que tem em mãos e que mantém sua atenção fixa no problema particular que tem que resolver, está aprendendo a meditar. Mais tarde, quando chegar ao aspecto mais espiritual da meditação, ele descobrirá que já venceu a parte mais árdua do caminho. A pessoa que lê um livro difícil e lê com toda a força e poder de seu cérebro, alcançando o que está por trás da palavra escrita, pode estar meditando tanto quanto lhe seja possível meditar neste período. Digo isto para nosso encorajamento, porque vivemos em um ciclo onde se podem encontrar livros sobre meditação. Todos eles contêm algum aspecto da verdade e podem estar fazendo muito bem, mas podem não conter o melhor para cada indivíduo. Precisamos encontrar nosso próprio modo de concentração, definir nosso próprio método de aproximação àquilo que existe no íntimo, e estudar por nós mesmos esta questão da meditação.
 
 
Gostaria aqui de pronunciar uma palavra de advertência. Evitem aquelas escolas e métodos que combinam formas de exercícios de respiração com meditação, que ensinam tipos diferentes de posturas físicas e ensinam seus estudantes a centralizar sua atenção nos órgãos físicos ou centros. Os que seguem estes métodos estão caminhando para o desastre e, além dos perigos físicos envolvidos, do risco da loucura e de doenças nervosas, eles se ocupam com a forma, que é limitação, e não com o espírito, que é vida. O objetivo não será alcançado deste modo. Para a maioria de nós a concentração intelectual que resulta no controle da mente e na habilidade de pensar claramente e pensar somente o que desejamos pensar, deve preceder a verdadeira meditação, algo sobre o que, raras pessoas sabem. Esta meditação verdadeira, sobre a qual é impossível expandir-me aqui, resultará numa mudança de polarização definida, abrirá ao homem experiências ainda não sonhadas, revelará contatos que ele ainda não compreende e o habilitará a encontrar seu lugar no grupo. Ele não estará mais confinado pelo muro de sua vida pessoal, mas começará a incorporar aquela vida ao todo maior. Ele não estará mais ocupado com coisas de interesse egoísta, mas dará atenção aos problemas do grupo. Ele não mais usará do tempo para a cultura de sua própria identidade, mas procurará entender aquela Identidade maior da qual faz parte. Isto é realmente o que todos os homens adiantados estão mais ou menos começando a fazer. Apesar do homem comum conscientizar isto muito pouco, grandes pensadores, como Edison e outros, chegam à solução de seus problemas pela linha da meditação. Pela concentração contínua, pela recordação constante e pela aplicação intensiva à linha de pensamento que os interessa, eles produzem resultados, chegam aos reservatórios interiores da inspiração e poder e trazem dos níveis superiores do plano mental, resultados que beneficiam o grupo. Quando nós próprios tivermos feito algum trabalho ao longo da linha de meditação, quando estivermos cultivando o interesse grupai e não o auto-interesse, quando tivermos corpos físicos fortes e limpos e corpos emocionais controlados e não tomados pelo desejo, quando tivermos corpos mentais que sejam nossos instrumentos e não nossos donos, aí então saberemos o verdadeiro significado da meditação.
 
 
Quando alguém entra em contato, pela meditação, com o grupo a que pertence, torna-se cada vez mais consciente do seu grupo e chega a uma posição de receber o que chamamos de série de iniciações. Estas iniciações são simplesmente expansões de consciência, efetuadas com a ajuda Daqueles que já atingiram o objetivo, Que já Se identificaram com o grupo e que são uma parte consciente do corpo do Homem Celestial. Com Sua assistência e ajuda, o homem despertará gradualmente para a conscientização Deles.
 
 
Há muito interesse em toda parte, hoje, pelo assunto da iniciação, e uma ênfase exagerada foi dada ao seu aspecto cerimonial. Precisamos lembrar-nos que cada grande desabrochar da consciência é uma iniciação. Cada passo a frente no caminho da percepção é uma indicação. Quando um átomo de substância transformou-se em uma forma, isso foi uma iniciação para este átomo. Ele percebeu outro tipo de força e o alcance do seu contato tornou-se mais amplo. Quando a consciência do reino vegetal fundiu-se com a do reino animal e a vida passou do reino inferior para o superior, foi uma iniciação. Quando a consciência do animal expandiu-se para a do ser humano, outra grande iniciação ocorreu. Todos os quatro reinos foram penetrados por meio de uma iniciação ou expansão de consciência. O quinto reino, ou espiritual, encontra-se agora à frente da família humana e se penetra nele por meio de uma certa iniciação, como se pode ver por aqueles que inteligentemente lêem seu Novo Testamento. Em todos estes casos estas iniciações foram efetuadas pela ajuda Daqueles que já conhecem. Assim, temos no esquema evolutivo, não grandes lacunas entre um reino e outro, e entre um estado de percepção e outro, mas um gradual desenvolvimento de consciência, no qual cada um de nós teve e terá sua participação. Se pudermos lembrar desta universalidade de iniciação, teremos um ponto de vista melhor dimensionado em relação a ela. Cada vez que nos tornarmos mais conscientes de nosso meio-ambiente e nosso conteúdo mental for aumentado, será uma iniciação em escala reduzida. Cada vez que nosso horizonte se alarga e pensamos e vemos mais amplamente, é uma iniciação e aqui está, para nós, o valor da própria vida e a grandeza de nossa oportunidade.
 
 
Desejo aqui enfatizar um ponto: cada iniciação tem que ser auto-iniciada. Aquela etapa final, quando uma ajuda definida nos é trazida de fontes externas, não é atingida porque haja grandes Seres ansiosos por nos ajudar, Que vêm até nós e tentam nos elevar. Ela vem a nós porque fizemos o trabalho necessário, e nada pode impedi-la. É nosso direito. Os que conquistaram podem ajudar-nos e de fato o fazem, mas Suas mãos estarão atadas até que tenhamos feito nossa parte do empreendimento. Portanto, nada que façamos para aumentar nossa utilidade no mundo, nenhuma iniciativa que tomemos para construir corpos melhores, nenhum esforço para adquirir autocontrole e equipar nosso corpo mental, estará jamais perdido; é algo que estamos acrescentando ao total que acumulamos, o qual, um dia, nos trará uma grande revelação, e o esforço que fizermos, cada hora, cada dia, aumentará o fluxo de energia que nos levará ao portal da iniciação. O significado da palavra "iniciação" é "entrar". Significa simplesmente que o iniciado é aquele que deu os primeiros passos para o reino espiritual e obteve a primeira série de revelações espirituais, cada uma sendo uma chave para uma revelação ainda maior.